Read the book: «O beijo da inocência - Calor intenso»
Editado por Harlequin Ibérica.
Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
Núñez de Balboa, 56
28001 Madrid
© 2020 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
N.º 57 - dezembro 2020
© 2012 Maya Banks
O beijo da inocência
Título original: Tempted by Her Innocent Kiss
Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
© 2012 Brenda Streater Jackson
Calor intenso
Título original: Feeling the Heat
Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
Estes títulos foram publicados originalmente em português em 2013
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.
Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.
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Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.
Todos os direitos estão reservados.
I.S.B.N.: 978-84-1375-284-6
Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.
Sumário
Créditos
O beijo da inocência
Capítulo Um
Capítulo Dois
Capítulo Três
Capítulo Quatro
Capítulo Cinco
Capítulo Seis
Capítulo Sete
Capítulo Oito
Capítulo Nove
Capítulo Dez
Capítulo Onze
Calor intenso
Capítulo Um
Capítulo Dois
Capítulo Três
Capítulo Quatro
Capítulo Cinco
Capítulo Seis
Capítulo Sete
Capítulo Oito
Capítulo Nove
Capítulo Dez
Capítulo Onze
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O beijo da inocência

Capítulo Um
Há um momento na vida de qualquer homem em que este sabe que foi caçado. Devon Carter ficou a olhar para a aliança de diamantes e soube que o seu momento tinha chegado. Fechou a tampa e guardou o estojo de veludo no bolso do casaco.
Tinha duas opções. Podia casar-se com Ashley Copeland e atingir o objetivo de fundir a sua empresa com os Hotéis Copeland para criar a maior e mais exclusiva cadeia de hotéis do mundo, ou podia recusar-se e perder tudo. Tendo em conta as circunstâncias, só podia fazer uma coisa.
O porteiro do seu prédio em Manhattan apressou-se a abrir-lhe a porta enquanto Devon se dirigia para a rua, onde era esperado pelo seu motorista. Respirou fundo, antes de entrar no carro, e o condutor arrancou.
Aquela ia ser a noite. Era o resultado do cortejar, de inúmeros jantares e beijos que se tinham tornado mais apaixonados. Naquela noite, culminaria a conquista de Ashley Copeland, e então pedir-lhe-ia que se casasse com ele.
Abanou a cabeça ao ponderar mais uma vez o absurdo da situação. Pessoalmente, achava que William Copeland estava louco por obrigar a filha a cair nas garras de Devon. Tinha tentado fazer com que o velho mudasse de ideias em relação a deixar a sua filha casar-se com ele.
Ashley era uma rapariga muito doce, mas Devon não tinha interesse em casar-se. Ainda não. Talvez dentro de cinco anos. Então, escolheria uma esposa e teria filhos.
William tinha outros planos. Desde que Devon o tinha abordado, William mostrara um brilho calculista no olhar. Ela era demasiado terna, demasiado inocente, demasiado… tudo, para ocupar-se dos negócios familiares. Estava convencido de que qualquer homem que mostrasse interesse por ela, fá-lo-ia para unir-se ao clã Copeland e à sua fortuna. William queria que cuidassem da sua filha e, fosse por que razão fosse, estava convencido de que Devon era a melhor opção.
Portanto, incluíra Ashley como parte do acordo. A condição? Que Ashley não soubesse disso. O velho estava disposto a entregar a filha, mas não queria que ela soubesse. O que queria dizer que Devon não tinha outro remédio senão continuar aquele estúpido jogo. Recordou as coisas que tinha dito e a paciência com que cortejara Ashley. Era uma pessoa direta e todo aquele assunto o incomodava.
Ashley pensaria que faziam um casal perfeito. Era uma mulher de bom coração que preferia passar o tempo na sua fundação para proteção dos animais do que nos conselhos de administração dos Hotéis Copeland. Se alguma vez descobrisse a verdade, não reagiria bem. E não poderia culpá-la. Devon odiava a manipulação, e zangar-se-ia muito se alguém lhe fizesse o que ele ia fazer-lhe.
– Velho estúpido – murmurou.
O condutor deteve-se à frente do edifício de apartamentos em que vivia todo o clã Copeland. William e a sua esposa ocupavam a cobertura e Ashley mudara-se para um apartamento mais pequeno noutro andar. Pelo meio, viviam outros membros da família, de primos a tios.
A família Copeland parecia estranha para Devon. Tornara-se independente aos dezoito anos e a única coisa que recordava dos pais era o aviso para não se meter em sarilhos.
Toda a devoção que William mostrava pelos seus filhos parecia-lhe estranha e incomodava-o. Sobretudo desde que William decidira tratar Devon como filho, agora que ia casar-se com Ashley.
Devon ia a sair quando viu Ashley a correr para a porta, com um rasgado sorriso nos lábios e o olhar cintilante ao vê-lo. Ele apressou-se a chegar junto dela.
– Ashley, deverias ter ficado dentro de casa – disse, franzindo o sobrolho.
Ela respondeu rindo-se. As suas gargalhadas eram um laivo de frescura no meio do barulho do trânsito. Tinha o cabelo loiro solto, sem o gancho que costumava usar. Segurou-lhe as mãos e apertou-as enquanto lhe sorria.
– Ora, Devon, que me pode acontecer? Alex está aqui e está mais atento a mim do que o meu próprio pai.
Alex, o porteiro, sorriu para Ashley. Devon suspirou e abraçou Ashley pela cintura.
– Deverias esperar-me lá dentro e deixar que fosse eu a ir-te buscar. Alex não pode cuidar de ti. Tem outros deveres.
– Para isso estás cá tu, tolo. Não acredito que alguém me possa fazer mal estando ao teu lado.
Antes que ele pudesse responder, uniu os seus lábios aos dele. Aquela mulher não sabia controlar-se. Estava a armar um espetáculo.
Ainda assim, o seu corpo reagiu à paixão daquele beijo. Era doce e inocente. Sentia-se como um monstro por causa da farsa em que estava a participar. Mas então lembrou-se que, por fim, os Hotéis Copeland seriam seus.
Lentamente, afastou-se.
– Este não é sítio para isto, Ashley – repreendeu-a. – Temos que ir. Carl está à nossa espera.
Ficou séria e durante uns segundos a sua expressão tornou-se triste, mas depressa voltou a animar-se, exibindo um alegre sorriso.
Devon acomodou-se no banco traseiro, junto a Ashley, e ela, logo em seguida, aninhou-se ao seu lado.
– Onde vamos jantar hoje? – perguntou ela.
– Preparei algo especial.
– O quê? – atirou, lançando-se sobre ele.
– Já vais ver.
Ouviu o seu suspiro de desespero e o sorriso de Devon aumentou. Uma coisa a favor de Ashley era ser muito fácil de contentar. Estava habituado a mulheres que protestavam quando não se cumpriam as suas expectativas. Infelizmente, as mulheres com quem costumava estar tinham elevadas e caras expectativas. Ashley parecia contentar-se com qualquer coisa. Estava certo de que o anel que escolhera lhe agradaria.
Ela aninhou-se ao lado dele e apoiou a cabeça no seu ombro. As suas espontâneas mostras de afeto continuavam a incomodá-lo. Não estava acostumado a pessoas tão diretas. Depois de se casarem, dir-lhe-ia que contivesse um pouco o entusiasmo.
Uns minutos mais tarde, Carl parou no edifício de Devon e saiu para abrir a porta. Devon saiu e ofereceu a mão a Ashley para ajudá-la.
– Esta é a tua casa – comentou ela, arqueando uma sobrancelha.
– É sim. Vamos, o jantar espera-nos.
Passou junto a ela pela porta e dirigiram-se para o elevador. Subiram e a porta abriu-se para o átrio do seu apartamento. Para sua satisfação, tudo corria como planeado.
A iluminação era ténue e romântica. Ouvia-se um jazz de fundo e a mesa estava preparada junto à janela, olhando para a cidade.
– Oh, Devon! Isto é perfeito.
Uma vez mais jogou-se nos seus braços e abraçou-o. De cada vez que o abraçava, sentia uma estranha sensação no peito. Soltou-se do abraço e levou-a até à mesa. Afastou-lhe a cadeira e depois abriu a garrafa de vinho e serviu dois copos.
– A comida continua quente! – exclamou ela, tocando no seu prato. – Como conseguiste?
– Com os meus superpoderes – respondeu ele, sorrindo.
– Gosto da ideia de um homem com superpoderes para cozinhar.
– Uma pessoa ajudou-me enquanto te fui apanhar.
Ela enrugou o nariz.
– És muito antigo, Devon. Não era preciso ires-me buscar se era para passarmos a noite no teu apartamento. Podia ter apanhado um táxi ou ter pedido ao motorista do meu pai que me trouxesse.
Devon pestanejou, surpreendido. Antigo? Já lhe tinham chamado muitas coisas, mas antigo nunca.
– Um homem tem de estar atento às necessidades da sua rapariga. Foi um prazer ir buscar-te.
Ela corou e os seus olhos brilharam.
– Sou?
– Se és o quê? – perguntou ele, pondo a cabeça de lado enquanto deixava o copo de vinho na mesa.
– A tua rapariga.
Nunca se tinha considerado um homem possessivo, mas agora que decidira torná-la sua esposa, descobrira que o era.
– Sim, e antes do fim da noite, não te restará qualquer dúvida de que me pertences.
Ashley sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo. Como se ia concentrar no jantar após tal afirmação? Devon ficou a olhar para ela do outro lado da mesa como se fosse saltar a qualquer momento.
Sentia-se como uma prisioneira. Era uma sensação deliciosa, até ameaçadora. Estava desejosa de que chegasse o momento em que Devon daria um passo em frente na relação.
Desejava-o, ao mesmo tempo que o temia. Como estar à altura de um homem que era capaz de seduzir uma mulher apenas com um toque e um olhar? Fora sempre um cavalheiro durante todo o tempo de namoro. Ao princípio, só lhe dera beijos inocentes, mas com o tempo tinham-se tornado mais apaixonados.
Outro arrepiou percorreu-a por causa desses pensamentos. Teria planeado torná-la sua naquela noite?
– Não vais comer? – perguntou-lhe Devon.
Uma vez mais, ficou a olhar para o prato. Sentia a boca seca e estremeceu de expectativa. Moveu a gamba com o garfo para molhá-la no molho e, lentamente, levou-a aos lábios.
– Não és vegetariana, pois não?
Ela sorriu ao ver a sua expressão, como se a ideia acabasse de ocorrer-lhe. Meteu a gamba na boca e mastigou-a enquanto voltava a deixar o garfo. Depois de engoli-la, segurou-lhe na mão.
– Preocupas-te demasiado. Se fosse vegetariana, já te teria dito. Muita gente pensa que não como carne por causa da minha ligação à associação de proteção de animais – disse ela e, ao ver a expressão de alívio de Devon, sorriu de novo. – Como frango e peixe. Não gosto muito de porco e menos ainda de vitela, foie gras ou coisas desse estilo. A ideia de comer fígado de pato dá-me a volta ao estômago.
– Terei em conta as tuas preferências culinárias para não tas servir – disse ele com solenidade.
– Sabes uma coisa, Devon? – disse, sorrindo. – Não és tão arrogante como as pessoas pensam. Na verdade, tens um grande sentido de humor.
– Arrogante? – perguntou, arqueando uma sobrancelha. – Quem pensa que sou um arrogante?
Consciente de que tinha metido a pata na poça, pôs outra gamba na boca.
– Ninguém. Esquece.
– Alguém te preveniu contra mim?
A repentina tensão no seu tom de voz fez com que se sentisse incómoda.
– A minha família preocupa-se comigo – respondeu Ashley. – São muito protetores, demasiado – concluiu.
– A tua família avisou-te para teres cuidado comigo?
– Bom, não exatamente. O meu pai não, claro. Ele acha que podes tocar a lua. A minha mãe também concorda com a relação, mas acho que é porque o meu pai a aprova.
Devon relaxou-se na sua cadeira.
– Então, quem?
– O meu irmão quer que tenha cuidado, mas tens de entender que sempre que tenho saído com alguém ele me diz o mesmo.
Uma vez mais, Devon arqueou uma sobrancelha enquanto levava o copo de vinho à boca.
– Pois.
– Sim, tu sabes, és um mulherengo. Tens uma mulher diferente em cada semana. Acha que a única coisa que queres é levar-me para a cama.
Ashley sentiu as faces arderem e inclinou a cabeça.
– Parece o típico irmão mais velho – disse Devon. – E tem razão numa coisa: quero meter-te na minha cama. O detalhe é que assim que te apanhar nela, não sais mais.
Ashley ficou surpreendida. Ele sorriu serenamente.
– Acaba de comer. Quero que te deleites com o jantar. Mais tarde, deleitar-nos-emos um com o outro.
Continuou a comer mecanicamente, sem reparar no sabor. Que faziam as mulheres em situações como aquela? Estava com um homem decidido a levá-la para a cama. Deveria mostrar-se fria ou pôr-se à defesa?
Conteve o riso. Estava a começar a perder a cabeça.
Umas mãos fortes agarraram-na pelos ombros. Ashley jogou a cabeça para trás e viu Devon nas suas costas. Como tinha ido até ali?
– Relaxa, Ashley – disse suavemente. – Estás muito tensa. Vem cá.
Com as pernas a tremer, pôs-se em pé. Ele acariciou-lhe o rosto com um dedo e depois afastou-lhe uma madeixa de cabelo da testa. Por fim, desenhou uma linha pela cara dela até chegar aos lábios enquanto aproximava o seu corpo do dela.
Agarrou-a pela cintura com um braço e com a outra mão segurou-lhe a nuca. Desta vez, quando a beijou, não teve a contenção que vira outras vezes. O beijo foi ardente e intenso. Como podia um beijo provocar-lhe aquele efeito?
Com a língua, roçou os lábios de Ashley, suavemente ao princípio e com mais força depois, fazendo pressão para que abrisse a boca. Ela relaxou e deixou-se levar pelo seu abraço. Ouvia o latejar nas têmporas, no pescoço e no mais profundo do seu corpo. Desejava aquele homem. Às vezes, dava-lhe a sensação de que levara toda a vida à sua espera. Era perfeito.
– Devon – sussurrou. – Há algo que tenho de dizer-te, algo que tens de saber.
Ele franziu o sobrolho e procurou os seus olhos.
– Podes dizer, conta-me o que quiseres.
Ashley engoliu em seco, mas sentiu crescer o nó na garganta. Nunca tinha imaginado que fosse tão difícil dizê-lo e sentiu-se como uma parva. Talvez não devesse dizer nada e deixar apenas que as coisas acontecessem. Mas não, aquela ia ser uma noite especial e Devon precisava de sabê-lo.
– Eu… Nunca fiz isto – disse nervosa, agarrando-se ao seu braço. – O que quero dizer é que nunca fiz amor com um homem. És o primeiro.
Algo escuro e primitivo brilhou nos seus olhos. Ao princípio não disse nada. Depois, beijou-a com ansiedade, devorando-lhe os lábios. A seguir, afastou-se e uma expressão de satisfação surgiu-lhe no rosto.
– Fico contente. Depois desta noite serás minha, Ashley. Alegro-me por ser o primeiro.
– Eu também – murmurou ela.
A intensidade da sua expressão suavizou-se. Inclinou-se para a frente e beijou-a na sobrancelha. Ficou assim durante longos segundos antes de agarrar-lhe os ombros.
– Não quero que tenhas medo. Serei muito suave contigo, querida. Quero que gozes de cada momento.
Ela pôs-se em pontas de pés e abraçou-o pelo pescoço.
– Então, faz amor comigo, Devon. Estou há muito tempo à tua espera.
Ashley ficou a olhar para Devon, sem saber o que fazer. Ele não tinha aquele problema. Deu-lhe outro beijo na testa antes de lhe pegar ao colo e levá-la até ao quarto principal do apartamento. Ela suspirou e apoiou a cabeça no seu ombro.
– Sempre sonhei que me levassem ao colo para a cama quando chegasse o momento. Certamente, pareço uma tola.
– Fico contente por poder cumprir as tuas fantasias antes mesmo de te despir.
Ela corou face à ideia de ele a despir.
Após ouvir muitas raparigas na escola e na universidade falarem sobre como tinham sido medíocres as suas primeiras vezes, Ashley prometera a si própria que a sua experiência seria diferente. Talvez tivesse acabado por ser muito exigente, mas empenhara-se em escolher o momento e o homem certo. Portanto, estava contente porque não podia ser alguém mais perfeito que Devon Carter.
Deixou-a junto à porta e ela olhou, nervosa, em redor. O quarto era grande. A cama também era enorme. Parecia feita à medida. Quem precisava de uma cama tão grande?
– Vou despir-te, querida – disse ele com voz sensual. – Vou fazê-lo lentamente. Se te sentires desconfortável em algum momento, interrompe-me. Temos toda a noite. Não há nenhuma pressa.
O seu coração derreteu perante a doçura da sua voz. Parecia paciente e, embora lhe agradecesse, estava desejosa que se apressasse.
«Só há uma primeira vez», disse-se, repreendendo-se.
– Volta-te para que possa despir-te o vestido.
Lentamente, voltou-se e fechou os olhos, enquanto ele lhe afastava o cabelo para o lado para abrir-lhe o fecho. Uns segundos depois, o som do zipper a descer foi a única coisa que se ouviu no quarto.
Ashley agarrou no vestido sem alças mesmo antes de este cair ao chão. Devon segurou-a pelos ombros nus e beijou-lhe o pescoço.
– Relaxa.
Era fácil para ele dizê-lo. Decerto, já o tinha feito centenas de vezes. Aquela ideia não lhe agradava e prometeu não pensar em quantas amantes teria tido.
Devon fê-la voltar-se e esboçou um sorriso que a derreteu por dentro. Lentamente, fê-la largar o vestido até este cair ao chão, deixando-a em cuecas.
Corou. Por que não tinha posto um sutiã sem alças? Sentia-se uma oferecida por não levar nada, mas também não tinha assim tanto peito e o vestido assentava-lhe como uma luva.
Também não sabia que ia seduzi-la naquela noite. Desejara-o em todas as vezes que Devon a convidara para sair, mas tinha deixado de profetizar sobre quando chegaria o momento.
– Muito sexy – disse, percorrendo-a com o olhar de alto a baixo.
Por sorte tinha vestido umas cuecas sensuais de renda e não as brancas de algodão branco que costumava usar.
– Estás muito bonita.
O seu tremor atenuou-se, absorvida pela expressão do seu olhar. Os olhos não mentiam e conseguia ver a excitação e o desejo nos dele.
Devon segurou-a pelos ombros e, suavemente, puxou-a para si para voltar a beijá-la. Em segundos, o beijo passou de feroz a terno, como se lhe estivesse a dizer que não ia magoá-la.
Embora fosse virgem, o desejo e a excitação não lhe eram desconhecidos. Devon, com uma intensidade que raiava a obsessão, tornara-se uma fantasia que a fazia passar as noites sem dormir.
Já se tinha sentido tentada no passado. Já fora namoriscada por outros homens. Por alguns não tinha sentido nenhum desejo, mas interessara-se por outros e perguntara-se se aquilo conduziria a uma relação sexual. No final, nunca se sentira segura e recusara-se a dar esse passo.
Com Devon, isso não lhe acontecera. Desde o primeiro momento em que se tinha apresentado com a sua voz sensual e profunda, ela soubera que estava perdida. Passara as últimas semanas desejosa que chegasse aquela noite. Agora que chegara, todo o seu corpo desejava que a fizesse sua.
Ele afastou-se um momento e ela ficou a olhar para ela com os olhos vidrados. Devon acariciou-lhe uma face com um dedo. Depois, voltou a beijá-la uma e outra vez. Os seus beijos eram ardentes. Deslizou a língua entre os seus lábios e brincou com a dela. O seu sabor era quente e extraordinário, fazendo-a desejar mais. Devon soltou um gemido e suspirou junto ao seu rosto.
– Enlouqueces-me.
Ela sorriu e o seu nervosismo acalmou. O facto de provocar aquele efeito num homem tão belo e atraente, aumentava a sua autoestima.
Continuou a beijá-la pelo pescoço. Um arrepio de prazer percorreu-lhe os ombros. Os seus lábios continuaram a descer pela curva dos seus ombros para o peito.
Pôs-se de joelhos em frente dela e a sua boca ficou à altura de um mamilo. Ashley conteve a respiração, desejando que a acariciasse. Era-lhe indiferente se era com a boca, os lábios ou a língua.
Ele baixou a cabeça e beijou-a no umbigo. Depois subiu uns centímetros e continuou o percurso entre os seus seios até finalmente a beijar sobre o coração.
Um sorriso desenhou-se nos lábios de Devon.
– O teu coração bate depressa – murmurou.
Ela continuou em silêncio. Não era preciso dizer nada. O coração estava prestes a saltar-lhe do peito. Mas as suas mãos não conseguiam estar quietas. Tinha os dedos afundados nas madeixas do seu cabelo castanho. Conforme a luz, os seus olhos eram âmbar, dourados, castanhos…
Acariciou-lhe o cabelo, que estava algo desarranjado. Prestava tão pouca atenção ao cabelo como fazia a outras coisas que considerava sem importância.
Devon levantou os olhos.
– Estás assustada?
– Aterrorizada – admitiu.
O seu olhar tornou-se mais doce e rodeou-a com os braços, puxando-a para ele. A sensação do seu corpo nu contra o vestido, fê-la estremecer.
– Estaria menos assustada se estivesses nu.
Ele pestanejou, surpreendido, e depois riu-se, deixando a cabeça cair para trás.
– Está bem – disse, pondo-se de pé à frente dela. – Fico feliz por dar-te prazer.
Ela passou a língua pelos lábios húmidos, enquanto ele se afastava e começava a abrir a camisa.
Ela permaneceu quieta, desfrutando. Ele estava em boa forma física, mas sem ostentar uma musculatura excessiva. Um cacho de caracóis salpicava-lhe o peito e uma suave linha de pelo descia pelo abdómen e desaparecia sob a cintura das calças.
Desejava acariciá-lo, tinha que acariciá-lo. Fechou os punhos e franziu o sobrolho. Não havia regras na sedução, certo? Podia tocar-lhe. Não tinha nenhuma razão para permanecer quieta como uma estátua enquanto ele fazia todo o trabalho.
Estava a começar a abrir as calças quando ela deslizou as mãos pelo seu peito e ombros. Ele ficou quieto e, por uns instantes, fechou os olhos.
A sua reação fascinou-a. Causar-lhe-iam as suas carícias tanto prazer como a ela as dele? Uma sensação de poder invadiu-a. Aproximou-se ainda mais, desejando sentir a sua pele nua junto à dela. Soltou um gemido quando seus seios roçaram o peito dele. Foi uma sensação elétrica que a fez desejar mais, muito mais.
– Que estás a fazer? – perguntou com voz alquebrada.
– A divertir-me.
Ele sorriu e permaneceu quieto, com as mãos no fecho das calças. Ashley acariciou-lhe o peito com as mãos abertas, explorando cada músculo e apreciando o contraste da força de Devon com a delicadeza do seu próprio corpo.
– Despe-as – sussurrou.
– Será que a tímida virgem se tornou uma sedutora?
Precisamente naquele instante corou e então ele sorriu, soltando as calças para segurar o seu rosto entre as mãos. Depois, beijou-a, agarrando com força os seus lábios.
O repentino nervosismo fez com que as suas mãos se movessem com inabilidade, enquanto procurava as calças. Ele permaneceu paciente, acariciando-lhe o rosto, com os olhos fixos nos dela enquanto Ashley lhe baixava as calças.
Engoliu em seco e aventurou-se a olhar para onde a ereção dele se adivinhava sob uns singelos boxers. Tinha imaginado algo mais… Bom, não o tinha imaginado com uns boxers tão simples, embora ele não fosse homem de complicar a vida. Sim, usava roupa cara, mas era roupa confortável. Só se sabia que era cara ao ver a etiqueta.
Dito de outra maneira, Devon Carter era um homem que fizera muito dinheiro, mas que não se preocupava em ostentá-lo. Em público, costumava estar à defesa, como se quisesse guardar as distâncias. Entusiasmava-a que confiasse nela o suficiente para mostrar-lhe o seu lado mais íntimo.
– Acaricia-me – disse naquele tom sensual que a fazia derreter-se.
Às apalpadelas, meteu a mão sob a cintura da sua roupa interior e continuou a descer até encontrar a aveludada dureza da sua ereção. Animada pela expressão de desejo dos seus olhos, rodeou com os dedos a base e, lentamente, deslizou-os para cima, percorrendo a sua longitude.
Devon soltou o seu rosto e, impacientemente, baixou os boxers até ficar completamente nu, enquanto ela continuava a acariciá-lo suavemente. Embora não tivesse forma de compará-lo, tirando com algumas fotos que vira, parecia ter um tamanho adequado. Pelo menos não parecia tão grande que criasse um problema de compatibilidades.
Segurou-lhe no pulso e afastou-lhe as mãos da ereção, aprisionando-as contra o peito.
– Querida, estás a enlouquecer-me. Era suposto ser eu a seduzir-te e no entanto és tu quem me escraviza com cada carícia.
Ela corou de prazer. Beijou-a novamente e abraçou-a, fazendo-a caminhar de volta à cama. Deteve-a quando as suas pernas estavam quase a roçar a manta. Depois, abraçou-a pela cintura e puxou-a para trás até deitá-la no colchão.
A expressão de Devon tornou-se séria. Com ternura, afastou-lhe uma madeixa de cabelo da testa com um movimento suave.
– Se em algum momento fizer algo que te assuste, diz-me e paro. Se queres que vá mais devagar, diz-me também.
– Oh! – exclamou, incapaz de dizer algo devido ao nó que tinha na garganta.
Puxou-o para que a beijasse. Sentia-se aparvalhada, mas isso não parecia importar-lhe. Teria gostado de mostrar-se mais desinibida, mas não tinha experiência e não se arrependia de ter esperado até àquele momento.
– Amo-te – sussurrou Ashley, incapaz de conter por mais tempo aquelas palavras. Devon ficou imóvel e, por um momento, Ashley temeu ter rompido a magia do momento. Afastou-se com os olhos arregalados, procurando no seu rosto alguma reação, alguma indicação de que transpusera alguma barreira proibida.
Estava convencida de que tinha deitado a perder o momento mais excitante e maravilhoso da sua vida por ser uma fala-barato. Nunca era capaz de conter-se.
– Devon?
Tremeram-lhe os lábios e começou a afastar-se, sentindo-se envergonhada.
Em vez de responder-lhe, Devon jogou-se sobre ela e começou a devorar-lhe os lábios. Depois, meteu a língua na sua boca e começou a brincar com a dela.
O seu corpo voltou à vida e arqueou-se contra ele. Ashley rodeou-o pelo pescoço enquanto Devon a apertava contra ele. Os seus corpos estavam tão ardentes como a sua boca. Entre as pernas, Ashley sentiu a sua ereção.
Devon agitou as ancas, como se fosse incapaz de conter o desejo de afundar-se nela. Ashley ofegou, excitada, levada pelo medo e pela excitação. A sua boca e as suas mãos estavam por todo o lado. Era um assalto sensual aos seus sentidos. As suaves carícias misturavam-se com toques mais firmes. Puxou-a para baixo até que conseguiu tomar um dos seus mamilos na boca. Depois, acariciou-o com a ponta da língua.
Ashley deixou escapar um grito, levada pelo efeito daquele simples toque. O prazer invadia-a e estremeceu violentamente, cravando-lhe as unhas.
Não satisfeito com a intensidade da sua reação, voltou a chupar-lhe um mamilo com força.
Ashley sentiu o olhar turvar-se. Respirou fundo, mas não parecia capaz de levar ar aos pulmões. Aquilo era o paraíso. Nem sequer encontrava as palavras para descrever aquela incrível sensação que lhe provocava a boca dele a lamber-lhe o peito.
Então, Devon deslizou uma mão entre eles, pelo seu umbigo e mais abaixo.
Ashley conteve a respiração enquanto os seus dedos lhe acariciavam as dobras até encontrar o centro do seu prazer. Sabia melhor que ela como satisfazê-la, onde e como tocar-lhe. Cada carícia elevava-a a novas alturas. Então, Devon fechou os olhos e empurrou com as ancas, afundando-se nela centímetro a centímetro. A dado momento, deteve-se e ela agitou-se, protestando.
– Chiu – murmurou, beijando-o no canto dos lábios. – Dá-me um momento. Não quero magoar-te. É melhor acabar com isto quanto antes.
Ashley assentiu, enquanto ele se separava para voltar a afundar-se novamente.
Arregalou os olhos e um grito afogado soltou-se da sua garganta. Estava a tentar controlar os sentimentos contraditórios que a embargavam.
Conseguia senti-lo dentro de si. Tinha-o preso. Não conseguia distinguir se a sensação ardente do seu interior era de prazer ou de dor. Queria mais, precisava de mais.
Gemeu suavemente e agitou-se. Queria algo que não sabia descrever.
– Devagar.
Beijou-a, acariciando-lhe a língua com a sua, e o beijo tornou-se mais apaixonado. Ergueu o corpo separando-o do dela e arqueou as ancas antes de penetrá-la novamente.
Depois voltou a descer, apoiando-se nos cotovelos, sem afastar o olhar do dela.
– Estás bem?
– Muito bem – respondeu ela, sorrindo.
– És linda, inocente, perfeita… Toda minha.
O tom possessivo da sua voz fazia-a estremecer e outro abalo de prazer percorreu-lhe o corpo.
– Sim, toda tua – sussurrou.
– Diz-me se te falta muito. Quero que atinjamos o orgasmo ao mesmo tempo. Não posso esperar muito mais.
– Então não o faças.
A sua voz tremeu. Mal conseguia pensar, muito menos falar. Tinha o corpo rígido. Os seus sentidos estavam alterados e prestes a deixarem-se levar. Um só toque, uma carícia mais e…
Abraçou-a e voltou a afundar-se nela. Obrigou-a a afastar as coxas um pouco mais, afundou-se mais profundamente e Ashley perdeu o controlo. Era a sensação mais bonita e espetacular que podia ter imaginado. Superava em muito as suas fantasias eróticas.
Quando voltou a recuperar a sensatez, estava rodeada pelos braços de Devon, que a beijava suavemente no pescoço. Estava em cima dele. Tinha o cabelo para um lado enquanto ele lhe acariciava a curva do ombro.
Ashley levantou a cabeça para olhá-lo, sentindo-se algo aturdida.
– Como acabei aqui?
Ele sorriu e deslizou as mãos pelo corpo nu de Ashley, até deter-se no seu traseiro.
– Eu pus-te aí. Gosto de ter-te em cima. Acho que poderia habituar-me.
– Oh!
– Ficaste sem palavras? Tu?
Olhou-o contrariada, mas não conseguiu ripostar nada. Era por demais evidente que tinha ficado muda.
Devon sorriu e puxou-a. Ashley colocou-se sobre ele e desfrutou das suas carícias nas costas.
– Magoei-te?
Ela sorriu ao notar preocupação no seu tom de voz.
– Não, foi perfeito, Devon, tão perfeito que não encontro palavras para descrevê-lo. Obrigada.
Afastou-lhe uma madeixa de cabelo e brincou com ela entre os dedos.
– Obrigada? Acho que nunca uma mulher me agradeceu após o sexo.
– Fizeste com que a minha primeira vez fosse especial.
– Fico contente – disse, beijando-a na cabeça.
Ela bocejou e aninhou-se ao seu lado.
– Dorme – sussurrou ele. – Quero que durmas aqui esta noite.
Pesavam-lhe os olhos e estava a adormecer quando pensou no que ele lhe acabava de dizer.
– Eu também quero dormir aqui.
Os seus dedos ficaram quietos entre o seu cabelo e depois começou a acariciar-lhe o corpo de um modo possessivo.
– Ótimo, Ashley, porque daqui em diante dormirás todas as noites na minha cama.
Capítulo Dois
Devon acordou com a estranha sensação de ter o corpo de uma mulher junto ao seu. Não só ao seu lado, mas a rodeá-lo por completo.
Ashley estava agarrada a ele, com as pernas entrelaçadas nas suas. Os seios descansavam sobre o seu peito, tinha um braço sobre o seu corpo e o rosto afundado no seu pescoço.
Gostava.
Permaneceu deitado enquanto observava o subir e descer do seu corpo, ao compasso da respiração. A sua beleza baseava-se na simplicidade. Poderia distingui-la entre uma multidão. Era extremamente natural. Talvez demasiado exuberante e atrevida, mas com tempo e a orientação adequada, podia tornar-se numa excelente esposa e mãe.
Acariciou-lhe um braço com a ponta dos dedos. Estava pálida, mas não tanto que parecesse doente. Era evidente que não se expunha ao sol e que usava maquilhagem quando saíam, embora não tanto que se transformasse em alguém diferente. Um pouco de batom e um toque de rímel para alongar as pestanas parecia ser tudo o que usava mas, claro, ele não era perito em assuntos femininos.
Gostava que não fosse cúmplice do ridículo plano do seu pai, embora ele achasse que o melhor para todas as partes envolvidas era conhecer a história completa desde o princípio.
A sua parte canalha gostava que sentisse afeto por ele, que os seus sentimentos estivessem livres de maquinações. Se a palavra que Ashley tinha dito na noite anterior não resultava do facto de sentir-se levada pela situação, «afeto» era um termo errado. Ela dissera que o amava. Isso complicava o assunto e dava-lhe uma certa dose de satisfação.
Enquanto para ele o casamento era um caso de necessidade e conveniência, além de uma oportunidade de conseguir uma excelente fusão empresarial, a ideia de que ela concordasse casar-se por essas mesmas razões incomodava-o muito. Embora isso o tornasse um hipócrita, gostava que quisesse casar com ele porque o desejava e até porque o amava.
Antes, tinha que terminar os preliminares. Um deles era tornar oficial o compromisso. Ela ainda não sabia, mas em breve tornar-se-ia mulher de Devon Carter.
Com cuidado, soltou-se dos seus braços e pernas. Estava profundamente adormecida, por isso não precisava de preocupar-se.
Levantou-se, vestiu o roupão e olhou para a cama. Por uns segundos, ficou paralisado perante a sua imagem. O sol entrava pela janela e banhava-a com os seus raios. Tinha o cabelo loiro desalinhado e estendido sobre a almofada. Um dos seus braços impedia a visão completa dos seus seios, mas sob o cotovelo assomava-se um mamilo. O lençol chegava até às nádegas, deixando ver a covinha no final das suas costas. Não havia dúvidas de que era muito bela. E agora era dele.
Meteu a mão no bolso do casaco que vestira na noite anterior e, antes de sair do quarto, tirou o estojo com o anel. Quando ela acordasse, passaria à fase seguinte do plano que orquestrara cuidadosamente.
Ashley espreguiçou-se e a luz do sol cegou-a durante uns instantes. Manteve os olhos fechados uns segundos, desfrutando do calor e bem-estar que lhe proporcionava aquela sumptuosa cama, a de Devon.
Suspirou, feliz. Tinha perdido a virgindade da mais maravilhosa das maneiras. Era impossível que tivesse corrido melhor. Fora uma noite incrível: jantar romântico para dois, Devon a comê-la com aquele olhar mágico e murmurando que ia torná-la sua. Sim, uma noite perfeita.
Então, deu-se conta que ele já não estava na cama com ela e franziu o sobrolho. Viu-o de pé do outro lado do quarto, observando-a. Vestia um roupão que deixava ver o seu peito nu. Estava apoiado na maçaneta da porta da casa de banho e olhava para ela. Por alguma razão, isso fê-la estremecer.
Algo colorido lhe chamou a atenção e ao baixar os olhos viu uma rosa vermelha sobre o lençol, ao seu lado. Mas foi o pequeno cartão junto a um espetacular anel de diamantes que a deixou sem fôlego.
Sentiu o sangue subir-lhe à cabeça e ficou a olhar para ele, boquiaberta. Apoiou-se num cotovelo para levantar-se e agarrou no anel. Tremiam-lhe tanto as mãos que quase deixou cair o estojo de veludo.
Voltou a olhar para a mensagem e depois para ele, como se temesse que se tivesse ido embora e tudo não passasse de um produto da sua imaginação. Mas continuava ali, com o sorriso a iluminar-lhe os traços.
– A sério? – perguntou Ashley sussurrando.
Ele assentiu e o seu sorriso ampliou-se ainda mais.
– A sério.
Deixou a rosa, o anel e a mensagem e saltou da cama para lançar-se nos seus braços. Devon deu um passo atrás e riu enquanto ela o beijava pelo rosto até aos lábios.
– Sim, oh meu Deus, claro que sim!
Agarrou-a por trás antes que se atirasse e caísse no chão. Depois levantou-a e os olhos de ambos ficaram à mesma altura.
– Já sabes que a tradição manda ser tu a colocares-me o anel.
Ashley olhou para a cama.
– Oh, meu Deus, onde está?
Devon levou-a até à cama e deixou-a na beira desta, enquanto pegava no anel. Uns segundos depois, agarrou-lhe na mão e pôs-lhe o anel no dedo. Ela conteve a respiração ao ver o diamante a brilhar sob a luz do sol.
– Oh, Devon, é lindo!
Lançou os braços em redor do seu pescoço e abraçou-o com força.
– Amo-te muito. Não posso acreditar que tivesses planeado isto tudo.
– Não quero um noivado longo.
– Eu também não.
– De facto, quero que nos casemos já – acrescentou, sem deixar de olhar para ela.
Ela franziu o sobrolho e mordeu o lábio inferior.
– Não me importaria. Quer dizer, se dependesse de mim, mas não sei como vai reagir a minha família. A minha mãe vai querer um grande casamento. Sou a única filha…
Devon acariciou-lhe a face.
– Eu encarrego-me da tua família. Garanto-te que concordarão comigo. Teremos um grande casamento e a tua mãe sentir-se-á satisfeita. Vais ver como vão gostar dos nossos planos.
Estava tão contente que mal conseguia estar quieta.
– Estou desejosa de contar a toda a gente! Não é incrível? Todos ficarão felizes por mim. Sei que o papá estava desejoso de que eu encontrasse o homem ideal e assentasse a cabeça. Está sempre a dizer que sou muito inquieta, mas isso é porque sou jovem.
– Estás a dizer que não queres casar-te?
Ashley ficou a olhar para ele, surpreendida.
– Não! Não era isso que estava a dizer. Ia dizer que estava à espera do homem perfeito, de ti.
– Era isso que eu queria ouvir – murmurou ele.
Devon beijou-a.
– E que tal tomares um banho para te recuperares de toda a atividade de ontem à noite e depois tomarmos o pequeno-almoço juntos?
Ashley corou, mas assentiu, desejosa de falar do futuro. Senhora Devon Carter. Gostava de como soava. E o anel… Baixou o olhar, paralisada pela beleza do diamante que lhe enfeitava o dedo.
– Gostas? – perguntou Devon num tom de gozo.
Ela levantou os olhos e encarou-o, séria.
– Adoro, Devon. É lindo. Mas não precisavas de comprar-me algo tão caro. Teria gostado de qualquer coisa vinda de ti.
Ele sorriu.
– Eu sei, mas queria que fosse algo especial.
Ashley sentiu o coração dar um salto.
– Obrigada. É perfeito, tudo é perfeito.
Beijou-a apaixonadamente e quando voltou a abrir os olhos, o seu olhar brilhava de desejo.
– Vai tomar banho antes que me esqueça do pequeno-almoço e volte a fazer amor contigo. Agora, mexe o teu belo traseiro da cama e vai para o banho. Tomaremos o pequeno-almoço dentro de quarenta e cinco minutos. Tens tempo para relaxar na banheira.
– Bom, por fim vais dar o passo – disse Cameron Hollingsworth, olhando do outro lado da sala para onde estava Ashley com outras mulheres.
Devon deu um gole no seu vinho, mas mal sentiu o seu sabor. Continuava distraído. Ainda assim, obrigou-se a beber, apostado em tranquilizar-se. Ele mesmo ia fazer o anúncio oficial dentro de minutos. O pai de Ashley desejara fazer as honras, mas Devon preferia fazê-lo ele. William Copeland já tinha participado demasiado, orquestrando a relação de Devon com Ashley. A partir de agora, as coisas far-se-iam à sua maneira.
Embora todos os presentes tivessem consciência de que tinham sido convidados para uma festa de noivado, Ashley fizera questão de esperar que chegassem todos os convidados para anunciá-lo.
– Estás a arrepender-te? – perguntou Cameron. – Mal falaste desde que cheguei.
– Não, já está tudo decidido. Não há volta atrás. A única coisa que falta é que Copeland assine o acordo. Após a cerimónia, enviará os últimos documentos e levaremos a cabo a fusão. Quero reunir com Ryan, Rafe e contigo assim que voltar da lua de mel.
Cameron arqueou uma sobrancelha.
– Lua de mel? Vais mesmo de lua de mel?
– Lá por este casamento fazer parte de um acordo de negócios não significa que Ashley não vá ter um grande casamento ou uma lua de mel.
Cameron encolheu os ombros.
– Boa ideia. Fá-la feliz. Se for feliz, o seu pai também é. Já sabes o que dizem das filhinhas do papá.
– Não sejas imbecil – disse Devon franzindo o sobrolho. – Ela…
– Ela o quê?
– Ouve, ela não sabe o que o seu pai vai fazer. Acha que foi um namoro romântico que terminou numa igualmente muito romântica proposta de casamento. Se não a levar de lua de mel, vai parecer estranho.
– Isto não pode acabar bem. Não te esqueças das minhas palavras. Algo correrá mal, meu amigo.
– Alguém alguma vez te disse que és um desmancha-prazeres?
Cameron levantou as mãos, rendendo-se.
– Só queria prevenir-te. Devias contar-lhe a verdade. Nenhuma mulher gosta de ser enganada.
– Para ela me mandar para o inferno mais a minha proposta de casamento?
Devon suspirou e abanou a cabeça. Sabia que Cameron tinha passado as passas do Algarve. Não podia culpar o amigo pela sua ironia. Mas não estava com paciência para ouvi-lo naquele momento.
– Este acordo é demasiado importante para todos nós, não apenas para mim – continuou ao ver que Cameron permanecia calado. – Teria preferido não ter que me casar, mas Ashley é boa rapariga. Será uma boa esposa e uma boa mãe. Toda a gente conseguirá o que quer. Ryan, Rafe, tu e eu, além de Ashley e do seu pai. Toda a gente ficará feliz.
– Como quiseres. Já sabes que te apoio. Mas lembra-te disto: não é preciso casares para que isto funcione. Podemos encontrar outra empresa. Já tivemos contratempos antes. Ninguém quer que te tornes num mártir pela causa.
– Estou bem, Cameron. Não há amor na minha vida, nem nenhuma outra mulher em cena. Não há ninguém com quem quisesse casar-me. Ficarei bem com Ashley, para de te preocupares.
Cameron olhou para o relógio.
– A tua noiva está a olhar para aqui. Acho que chegou o momento.
Devon olhou para onde Ashley estava, rodeada de amigos e familiares. Era incapaz de saber quem era quem, já que eram muitos. Ela sorriu e acenou-lhe antes de lhe dizer para se aproximar.
Devon deu o seu copo de vinho a Cameron e atravessou vários grupos até chegar junto de Ashley.
Estava radiante naquela noite. Luzia um sorriso cativante.
Assim que se aproximou, ela pegou-lhe na mão e integrou-o no círculo. Sorriu a cada mulher, mas os seus nomes e rostos misturaram-se. Após uns minutos, inclinou-se para o ouvido de Ashley.
– Chegou o momento, não te parece?
Ela estremeceu de emoção. Os seus olhos iluminaram-se e apertou-lhe a mão enquanto lhe sorria.
– Desculpem, minhas senhoras – disse, levando Ashley para onde estava Cameron.
Não havia ninguém perto de Cameron. Provocava aquele efeito nas pessoas. Era o lugar perfeito para pedir atenção e anunciar o compromisso.
– Olá, Cameron – disse Ashley assim que chegaram junto ao amigo dele.
Soltou a mão de Devon e lançou os braços em redor do pescoço de Cameron, que sorriu e abanou a cabeça, tentado livrar-se do seu abraço.
– Olá, Ashley – disse, antes de lhe dar um beijo no rosto. – Fica ao meu lado enquanto Devon se expõe ao ridículo.
Devon olhou para Cameron antes de pegar na mão de Ashley e pôr-se ao seu lado.
– Estás a brincar? – perguntou Devon. – Queres que parta o copo de vinho para chamar a atenção?
Cameron encolheu os ombros, levou o dedo aos lábios e assobiou.
– Oiçam-me todos, prestem atenção. Devon tem algo para nos anunciar.
– Obrigado, Cameron – disse Devon.
Depois voltou-se para os amigos e familiares de Ashley. Ficaram todos a olhar, expectantes. Tossiu e procurou falar claramente e não meter a pata na poça.
– Ashley e eu convidámos-vos esta noite para celebrarmos uma ocasião muito especial – disse, olhando para ela e apertando-lhe a mão. – Ashley tornou-me o homem mais feliz do mundo ao aceitar casar-se comigo.
Os assistentes romperam em gritos e aplausos. À direita, os pais de Ashley sorriam junto ao seu filho mais novo. William fez uma inclinação de cabeça para Devon e a mãe de Ashley secou os olhos enquanto sorria para a filha.
– Queremos que assistam ao casamento que se celebrará dentro de quatro semanas.
Devon ergueu o copo e voltou-se para Ashley, cujo rosto mostrava um sorriso arrebatador.
– À Ashley, que fez de mim o homem mais feliz do mundo.
Todos levantaram os copos e brindaram a Devon e Ashley.
– Ena, que discurso eloquente – murmurou Cameron ao ouvido de Devon. – Qualquer pessoa diria que falavas a sério.
Devon ignorou Cameron e abraçou Ashley pela cintura, enquanto começavam a receber as primeiras felicitações. A sua cabeça dava voltas enquanto via cada rosto.
Surpreendeu-o que todos os membros da família de Ashley pensassem que era incapaz de cuidar de si própria sozinha. Nada o levava a pensar que assim fosse.
Sim, era inconstante, demasiado confiante e bastante inocente. Talvez numa família de tubarões empresariais, ela parecesse estranha.
Mas isso não queria dizer que fosse incapaz de cuidar de si própria. Isso só significava que precisava que alguém velasse pelos seus interesses e a protegesse de si mesma. Alguém como ele.
Ashley acariciou-lhe o braço e, pondo-se em pontas de pés, inclinou-se para a frente. Ele baixou a cabeça, apercebendo-se de que queria dizer-lhe algo.
– Podemos ir-nos já – sussurrou. – Sei que a minha família pode ser um pouco chata.
Devon quase que começou a rir às gargalhadas. Ali estava ele, pensando que precisava da sua proteção e ela estava preocupada, procurando protegê-lo da sua açambarcante família.
– Estou bem. Quero que te divirtas. Esta é a tua noite.
Franziu o sobrolho e ficou a olhar para ela.
– E a tua não?
– Claro. Refiro-me a estares rodeada pela tua família e amigos e quero que desfrutes disto tudo.
Ela sorriu, beijou-o na face e permaneceu ao seu lado enquanto continuavam a receber os parabéns.
– Ashley! Ashley!
Devon voltou-se e viu uma mulher a abrir caminho entre os convidados. Observou-a e apercebeu-se que se parecia com Ashley. Seria, certamente, uma das suas inúmeras primas.
– Brooke! – gritou Ashley.
Olharam-se, sorridentes, e deram as mãos.
– Será que já adivinhaste? – disse Brooke sem fôlego. Estou grávida! Eu e Paul vamos ter um bebé!
As expressões de alegria de Ashley podiam ouvir-se por toda a sala. Devon voltou-se e deu-se conta que toda a gente estava a olhar.
– Oh, meu Deus, Brooke. Fico tão contente! De quanto tempo estás?
– De apenas dez semanas. Queria ter-te contado assim que soube, mas tens estado demasiado ocupada com Devon. Além disso, quando fiquei a saber que se iam casar não quis incomodar…
– Pelo menos, devias ter-me mandado uma mensagem para o telemóvel – disse Ashley. – Oh, Brooke, fico tão feliz por ti. Imagino que também ficarei muito contente quando estiver grávida. Espero que os nossos filhos se deem bem e possam brincam juntos.
Ashley falava cada vez mais alto e as suas maneiras exageradas chamavam a atenção dos demais que a olhavam, sorridentes. Estava animada e falava muito depressa, gesticulando tanto que quase bateu num empregado que passava. A rápida reação de Devon e Cameron impediu que a bandeja de bebidas acabasse no chão. Ashley continuou, alheia ao caos que podia ter causado.
Depois, abraçou impulsivamente Brooke pela terceira vez. Depois, fez o mesmo com Paul antes de abraçar Brooke mais uma vez, a quem não tinha soltado as mãos um só momento.
Cameron riu e abanou a cabeça.
– Tens muito trabalho à espera, Devon. Para seguires o ritmo dela vais ter que deixar de ser tão snobe.
– Não tens outro lugar para estar e outra pessoa que não eu para torturares? – murmurou Devon.
Cameron olhou uma vez mais para Ashley e Devon reconheceu afeto no olhar do seu amigo.
– É linda – disse Cameron, deixando de lado o seu copo de vinho.
– Linda? – repetiu Cameron, agitando-se, incómodo.
– É agradável, sim? Parece sincera e não podes pedir mais.
Devon ficou boquiaberto, a olhar para o amigo.
– Gostas dela.
Cameron olhou para ele, franzindo o sobrolho e Devon sorriu antes de prosseguir.
– Gostas sim. E tu que nunca gostas de ninguém.
– É simpática – murmurou Cameron.
– Achas que não deveria casar com ela – disse Devon.
– Cala-te, ainda te ouve.
Mas Ashley já se tinha afastado de Devon e estava focada na sua conversa com Brooke.
– Se pensas que é linda e simpática, para quê a conversa de eu ser um mártir por ir casar-me? – insistiu Devon.
– Ouve, não gostaria que a magoassem e isso é o que vai acontecer se não fores sincero com ela. As mulheres acabam por descobrir tudo.
– Quem diz que não sinto algo por ela?
– Quer dizer que sentes algo por ela? – perguntou Cameron. – Porque não parece.
Devon franziu o sobrolho e olhou em volta para assegurar-se de que ninguém os ouvia.
– A que te referes? Rafe, Ryan e tu somos os únicos que sabemos a verdade sobre a minha relação com Ashley. Não dei motivos a ninguém para pensar que não me caso com ela por amor.
– Talvez tenhas razão. Talvez seja porque sei a verdade que não te vejo tão contente com o casamento como está a tua noiva.
– Maldição – amaldiçoou Devon. – Vais acabar por tornar-me paranoico.
– Ouve, esquece. Estou certo de que tudo correrá bem. Além disso, não é assunto meu. Parece uma rapariga muito doce e tenho pena que possa sair magoada.
– Não vou magoá-la – disse Devon. – Vou casar-me com ela e vou cuidar dela.
– Estão a chamar-te outra vez – disse Cameron, apontando com a cabeça para Ashley. – Vou-me embora. Acompanhar-te-ei e felicitarei Ashley uma vez mais antes de despedir-me.
Devon chegou junto a Ashley, que lhe apresentou outra das suas primas, e depois esperou que Cameron se despedisse e lhe desse um beijo em cada face. Durante todo aquele tempo não conseguiu deixar de pensar na sua conversa com Cameron. Era mesmo verdade que não o via entusiasmado com o casamento? Não podia perder a oportunidade quando estava tão perto de atingir o seu objetivo. Tinha trabalhado muito para que à última hora tudo se estragasse. Se tivesse que casar com o diabo para fechar o acordo, fá-lo-ia.
Capítulo Três
Apesar das noites que já tinha passado no apartamento de Devon, ainda sentia borboletas no estômago sempre que entrava no quarto dele para se deitar. Estava ali há uma semana e ainda estava incómoda porque não sentia que aquele fosse o seu lar.
Estava a tirar a camisa de noite quando o riso de Devon rompeu o silêncio do quarto. Voltou-se rapidamente, franzindo o sobrolho enquanto ele olhava para ela, divertido.
– O que é assim tão divertido?
– Tu. Todas as noites perdes o teu tempo vestindo essa bonita camisa de noite para depois a despires, pouco depois de te meteres na cama.
Ela assentiu. As faces ardiam-lhe.
Devon sorriu e puxou-a para a cama.
– Asseguro-te que… – disse e beijou-a, – que nunca deixarei de desejar-te – disse, mordiscando-lhe a orelha. – A não ser que esteja amarrado da cabeça aos pés e, ainda assim, pensaria nisso.
– Portanto, é verdade que os homens só pensam em sexo.
– Às vezes também pensamos em comida.
Ashley riu.
– A minha mãe está escandalizada por ter praticamente vindo viver contigo.
– Praticamente não – disse enquanto lhe deslizava uma das alças pelo ombro. – Vieste viver comigo.
– Estava aterrorizada. O meu pai disse-lhe que deixasse de se preocupar tanto, que nos íamos casar e que é normal que queiramos passar algum tempo juntos antes do grande dia, para nos assegurarmos de que somos compatíveis. Por outro lado, Eric está bastante chateado. Acha que está louco por permitir que me mude para casa de um homem que foi para a cama com meia cidade. São palavras dele, não minhas.
Devon ficou sério e aproximou-se dela.
– Fazes sempre isso?
– O quê?
– Dizer a primeira coisa que te vem à cabeça.
– Não sei, nunca tinha pensado nisso – ripostou, franzindo o sobrolho. – Foi o que ele disse. Mas não lhe prestei muita atenção. É demasiado protetor comigo e fica sempre muito resmungão quando alguém repara em mim.
Ela estremeceu enquanto a puxava para a cama. Cada noite, levava-a até lugares com que nunca sonhara.
Se aquilo era uma mostra do que ia ser a sua vida com ele, então estava visto que ia ser uma mulher muito feliz.
– A acompanhar-nos na nossa reunião desta manhã, temos em videoconferência Ryan Beardsley e Rafael de Luca – disse Devon enquanto os rostos dos amigos apareciam no ecrã da parede. – Ryan está na ilha de Saint Angelo, onde estamos a construir um dos nossos hotéis. Quando estiver terminado, este hotel será o padrão da cadeia Copeland. Bom dia, Ryan. Talvez queiras explicar-nos os avanços das obras.
Devon cedeu a palavra a Ryan e olhou para Cameron, que estava sentado na sua cadeira. Sabia bem como iam as obras porque se informava todos os dias. Embora Ryan acompanhasse o progresso das obras no local, estava pendente de a sua mulher dar à luz a qualquer momento. Por isso, Devon estava em contacto com o chefe de obras para tratar de qualquer assunto que surgisse.
Cameron não se tinha vestido adequadamente para a situação. Não concordava com a ideia de que a imagem fosse tudo no mundo dos negócios. Além disso, não se importava com o que os outros pensassem. Ainda assim, era fácil para Cameron. Tinha nascido naquele mundo, ao contrário de Devon, que tivera de abrir caminho pouco a pouco.
Cameron parecia disposto a passar o dia na praia ou sentado com uma cerveja numa mão e um cigarro na outra. Claro que Cameron nem fumava nem bebia. Não tinha nenhum vício. Era perfeito na sua imperfeição.
O pessoal da Tricorp escutava Ryan atenciosamente e tomava notas. Havia um ambiente de expectativa na sala. Todos sabiam que era uma questão de tempo o anúncio de uma fusão.
Devon preferia esperar. Talvez estivesse a ficar velho e mole. Talvez nem merecesse estar prestes a dar o maior golpe da sua carreira. Porque quando estava quase a conseguir o que sempre desejara, tinha ido falar com William Copeland para sugerir-lhe que adiassem seis meses o anúncio. Achava preferível que Ashley não pensasse que os negócios tinham algo a ver com o casamento e que a fusão ocorreria mais tarde. Mas William não quis. Fazia questão de que as coisas fossem feitas conforme o planeado.
Pensava que Devon se preocupava demasiado com a possível reação de Ashley. Ela amava-o. Isso não era suficiente? Devon sentia-se embaraçado por toda a gente saber que ela estava loucamente apaixonada pelo seu futuro marido.
Além disso, William assinalara que, além do desinteresse de Ashley pelos negócios familiares, as possibilidades de ela perceber o esquema eram muito limitadas. Que conselho dera William a Devon? Que a mantivesse ocupada e feliz.
De repente, a meio do relatório de Ryan, um estranho som inundou a sala. Todos olharam em redor. Devon franziu o sobrolho. Que fora aquilo? Parecia o som de um telemóvel, mas nunca antes o ouvira.
Então, toda a gente se voltou lentamente para ele e percebeu que era o seu.
– Que raio…? – murmurou.
Devon tirou o telemóvel do bolso e viu o nome de Ashley no ecrã.
– Desculpem-me um momento – disse, pondo-se em pé. – Atenderei lá fora.
Saiu rapidamente, incomodado com a expressão de gozo de Cameron. Parecia muito seguro de quem lhe estava a ligar.
Assim que saiu da sala de reuniões, carregou no botão para atender e levou o aparelho ao ouvido.
– Aqui Carter.
Ashley não pareceu aperceber-se do seu tom sério e da ausência de saudação.
– Oh, olá, Devon. Está-te a correr bem o dia?
– Muito bem. Ouve, precisas de alguma coisa? Estou a meio de uma reunião.
– Oh, não é nada importante – disse ela. – Só estava a ligar-te para dizer-te que te amo.
Formou-se-lhe um nó incómodo no estômago. Que devia responder àquilo? Tossiu.
– Ashley, mudaste o som de toque do meu telemóvel?
– Ah, sim, assim saberás quando for eu a ligar. Que giro, não?
Devon fechou os olhos. Aquele som estridente ia torná-lo o bobo da corte do escritório, já para não dizer que Cameron não pararia de gozar com ele durante uma boa temporada.
– Sim, muito giro. Ouve, vemo-nos esta noite. Continua de pé o nosso jantar às nove, certo?
– Sim, claro. Estarei no refúgio até às oito, portanto encontramo-nos no restaurante.
– Tens como chegar?
– Apanho um táxi.
– Mando alguém buscar-te. Fica no refúgio até que chegue. Vou dizer para te apanharem às oito.
Ela suspirou, mas não discutiu.
– Tem um bom dia, Devon. Estou desejosa de que chegue esta noite.
– Obrigado, eu também.
Ficou a olhar para o telefone durante longos segundos e depois premiu vários botões. Como se mudava o toque das chamadas?
Para sua desgraça, ligava-lhe continuamente. Não sabia como, mas arranjava sempre maneira de interromper uma reunião ou quando estava acompanhado.
Após algumas vezes, começou a silenciar o telefone ou a pô-lo em modo de vibração, mas num par de ocasiões tinha-se esquecido e o som interrompera-lhe as reuniões.
Às duas semanas, tinha começado a divertir-se. Alguns olhavam-no com simpatia, algumas mulheres até com ternura. Mas Cameron não parava de gozar com ele.
Ashley ligava quando lhe apetecia, pelo que, para sua desgraça, nunca sabia quando tal ocorreria. Às vezes queria pedir-lhe conselho sobre algum detalhe do casamento, como as flores. Como opinar se nem sequer sabia distinguir uma tulipa de uma gardénia? Também lhe tinha perguntado pelos convites.
Rafael e Ryan não tinham passado por aquilo para organizarem os seus casamentos. Ambos tinham escolhido celebrações singelas. Devon estava a sofrer. O casamento estava a ser organizado por todo o clã Copeland. Estava a prestes a atirar-se ao rio Hudson.
– Devon?
Devon assomou a cabeça pela porta da casa de banho, antes de voltar à cama secando o cabelo com uma toalha. Ashley estava deitada de bruços, agitando os pés no ar, com o queixo apoiado na mão. Estava de sobrolho franzido, o que indicava que estava a pensar em algo.
– Que se passa? – disse, sentando-se à beira da cama.
– Onde vamos viver? – perguntou ela, virando-se um pouco para olhar para ele. – Refiro-me a depois de nos casarmos. Não falámos disso.
– Pensava que viveríamos aqui.
Ashley franziu os lábios e enrugou a testa.
– Ah.
– Não gostas deste apartamento? É maior que o teu, por isso pensei que estaríamos mais à vontade aqui.
Ashley ergueu-se e sentou-se ao seu lado, com as pernas cruzadas.
– Gosto. É um apartamento estupendo, embora demasiado masculino. É como um apartamento de solteiro. Não parece adequado para ter meninos ou animais de estimação.
– Animais? Não tenho a certeza quanto a animais…
Ashley franziu ainda mais o sobrolho, o que pareceu angustiante a Devon. Ashley não costumava fazer birra, o que era bom por ser muito difícil resistir-lhe quando não estava contente. Talvez fosse por estar sempre contente.
– Sempre desejei uma casa no campo, um lugar onde crianças e animais pudessem correr e brincar. A cidade não é um bom lugar para formar uma família.
– Muita gente forma uma família aqui. Tu cresceste aqui.
– Não vivi aqui sempre. Só nos mudámos para a cidade quando fiz dez anos. Antes vivíamos numa quinta, ou pelo menos era uma quinta até o meu pai a comprar.
– É algo sobre o qual podemos conversar quando chegar o momento – disse Devon. – Neste momento, o meu objetivo é tornar-te minha esposa, passar uma semana sem interrupções contigo na nossa lua de mel e que te mudes definitivamente para o meu apartamento.
– Gosto quando dizes coisas como essa – disse Ashley, beijando-o no rosto.
Ele arqueou uma sobrancelha enquanto ela se afastava.
– Que coisas?
– Que mal podes esperar para estarmos juntos – disse, abraçando-o pela cintura.
Mais uma vez, Devon sentiu uma estranha sensação no peito.
– Já não falta muito – disse, numa tentativa para animá-la. – Podemos sempre voltar a falar sobre onde viveremos lá mais para a frente. Neste momento, quero que nos concentremos em ficar juntos – acrescentou, acariciando-lhe o cabelo.
Ela abraçou-o com força e voltou a soltar-se como tinha feito antes para encará-lo e olhar os seus intensos olhos azuis.
– Podemos falar de outra coisa?
– Claro.
– Quando dizes que nos concentremos em estar juntos, queres dizer que preferes esperar para ter uma família? Já falámos de filhos. Acho que deixei claro que quero ficar grávida já, mas não sei a tua opinião.
Na sua cabeça, formou-se a imagem de Ashley grávida, com um radiante e bonito sorriso nos lábios. Ficou surpreendido por a imagem lhe parecer tão gratificante e ficou perplexo.
Em algum momento, tinha deixado de pensar no casamento com Ashley como uma obrigação. Resignara-se ao inevitável e a verdade era que podia ter sido muito pior. Era inteligente, boa pessoa, doce, afetuosa e terna. Seria uma mãe estupenda, muito melhor do que fora a sua. Mas seria ele um bom pai?
– Devon?
Baixou os olhos e deparou-se com o olhar preocupado dela. Instintivamente, tentou afastar-lhe aquela preocupação e beijou-a na testa.
– Estava a pensar.
– É demasiado cedo para ter esta conversa. Desculpa. O meu pai diz-me sempre que me precipito demasiado. Não consigo evitá-lo. Quando quero algo, faço o possível para consegui-lo.
Não pôde evitar sorrir. Era uma descrição muito acertada dela. Desfrutava da vida e não parecia preocupar-se se dava um mau passo. As pessoas como ela eram um mistério para ele. Era incapaz de compreendê-las.
Puxou-a até fazê-la sentar-se no seu colo.
– Acho que vais ser uma mãe magnífica. Estava a imaginar-te grávida e gostei. Isso fez-me lembrar que não temos usado proteção, o que é uma irresponsabilidade. O que faz com que me pergunte se, no fundo, quereria inconscientemente deixar-te grávida.
Ela suspirou e aninhou-se no seu peito.
– Esperava que dissesses isso. Refiro-me quanto a termos filhos. Em parte, acho que será melhor esperarmos, mas sempre desejei ter uma família numerosa e não quero ser uma velha quando terminarem a escola.
– Tens consciência de que não temos feito nada para evitar uma gravidez – disse ele baixinho.
– Importas-te? – perguntou ansiosa. – Quer dizer, se te importarias que ficasse grávida antes de nos casarmos.
– Seria muito hipócrita da minha parte incomodar-me por algo que podia ter evitado.
– Só queria ter a certeza. Não quero que comecemos mal. Quero que seja tudo perfeito.
– Achas que já estás grávida? – perguntou, acariciando-lhe o rosto. – Foi por isso que abordaste o tema? Não quero que tenhas medo de contar-me o que quer que seja. Nunca me chatearei contigo por algo que também é minha responsabilidade. Eras virgem na primeira vez que fiz amor contigo. Deveria ter sido eu a tratar dos métodos contracetivos.
– Não. Enfim, não sei, mas acho que não.
Devon apoiou a testa na dela e percebeu que já estavam a comportar-se como um casal. Confiava em Ashley e gostava de estar com ela. Tinha uma sensação de bem-estar que não podia negar. Talvez, afinal, William Copeland soubesse o que fazia.
– Bom, se estiveres, ótimo. A sério. Quero que me digas se achares que estás. E se não estiveres, depois resolvemos isso, está ?
– De acordo – disse ela, sorrindo e com as faces coradas.
– Que te parece se formos indo para a cama?
Ficou ainda mais vermelha e sorriu com timidez.
– Esforçar-me-ei por deixar-te grávida – sussurrou Devon junto ao seu ouvido.
– Amo-te muito, Devon. Sou a mulher mais sortuda do mundo. Estou desejosa de nos casarmos e de ser oficialmente tua.
Enquanto baixava a cabeça para unir os seus lábios aos dele, Devon pensou que estava muito enganada. A sortuda não era ela.
Capítulo Quatro
– Ashley, se não ficas quieta, nunca mais acabamos de pentear-te e maquilhar-te – disse Pippa desesperada.
– Continuo a pensar que deveríamos ter chamado uma profissional – disse Sylvia enquanto observava os avanços que Tabitha ia fazendo no cabelo de Ashley.
– Tabitha é profissional – disse Ashley. – É a melhor. E quem não quer os melhores no dia do seu casamento? E quem sabe mais de maquilhagem do que Carly?
– Isso é verdade – interveio Pippa. – Acho que as empresas de cosmética deveriam pagar-lhe pela promoção dos seus produtos.
– Fecha os olhos, Ashley – disse Carly. – É hora de pôr rímel. Só um pouco, não queremos que os olhos fiquem demasiado carregados no teu grande dia.
– Claro que não – disse Ashley, franzindo o sobrolho.
– Querida, estás pronta? – perguntou a mãe de Ashley do outro lado da porta. – Só tens dez minutos.
– Dez minutos? – repetiu Tabitha. – Não pode ser. Pode entretê-los, senhora Copeland?
– Não vou chegar tarde ao meu próprio casamento – disse Ashley. – Apressa-te, Tabitha. O cabelo ficará ótimo. Basta pores o véu sobre o carrapito.
– Basta pores o véu sobre o carrapito… – repetiu Tabitha. – Como se fosse assim tão simples.
Sylvia arregalou os olhos e interpôs-se rapidamente entre Tabitha e Ashley, colocando-lhe o véu sobre o elegante carrapito.
– Já está. Estás muito bonita, Ashley.
– Um pouco de brilho nos lábios e acabamos – anunciou Carly.
Uns segundos mais tarde, Carly afastou-se para que Ashley pudesse ver-se no espelho.
– Oh, meninas!
As suas amigas observaram-na no espelho.
– Estás linda – disse Pippa, quase a chorar. – És a noiva mais bonita que já vi.
– É verdade – disse Tabitha.
As quatro mulheres uniram-se num abraço.
– Meninas, chegou a hora de sair. Os vossos acompanhantes estão à espera. Não queremos que a noiva chegue tarde – disse a mãe de Ashley.
As amigas apressaram-se para a porta, com os ramos de flores nas mãos.
– O teu pai vem já buscar-te – continuou a sua mãe, aproximando-se. – Minha pequena, estás uma mulher – disse com lágrimas nos olhos. – Estás linda. Estou muito orgulhosa de ti.
– Não me faças chorar, mamã.
A mãe riu-se e pegou-lhe nas mãos para ajudá-la a pôr-se em pé.
– Espera que te arranje o vestido. O teu pai não para de andar de um lado para o outro. Já sabes que odeia atrasar-se.
De repente, bateram à porta.
– Deve ser o teu pai. Estás pronta, querida?
Ashley ficou nervosa e sentiu as mãos húmidas, mas assentiu. Chegara o momento. Estava quase a dirigir-se ao altar e a tornar-se a esposa de Devon Carter.
Lançou os braços em redor da mãe e abraçou-a.
– Amo-te, mamã.
A mãe retribuiu o abraço.
– Eu também te amo, pequena. Saiamos antes que o teu pai faça um buraco no chão.
Saiu antes de Ashley e ali estava o seu pai olhando para o relógio. Ao ouvi-las, levantou a cabeça e a sua expressão ficou mais doce. Os olhos encheram-se-lhe de uma intensa emoção e estendeu-lhe a mão.
– Não posso acreditar que vás casar-te. Parece que foi ontem que estavas a aprender a andar. Estás muito bonita, Ashley. Devon é um homem cheio de sorte.
– Obrigada, papá – disse, beijando o pai no rosto. – Tu também estás muito bonito.
A organizadora do casamento aproximou-se deles, agitando as mãos no ar. Acompanhou-os à entrada para o altar e esteve uns segundos a arranjar a cauda do vestido.
A mãe de Ashley entrou na igreja e sentou-se, deixando Ashley sozinha com o pai para que a acompanhasse até ao altar. A música começou a ouvir-se, as portas abriram-se e todos os olhos se fixaram em Ashley. Tremia-lhe o ramo nas mãos e rezou para que não lhe falhassem os joelhos. De repente, o vestido parecia pesar uma tonelada e, apesar do frio que estava lá fora, a igreja parecia uma sauna. Então viu Tabitha, Carly, Sylvia e Pippa no primeiro banco, sorridentes.
Por fim, o seu olhar parou em Devon e esqueceu os outros. Esqueceu-se do seu nervosismo e das suas dúvidas. Só conseguia pensar no facto de estar à espera no altar e que, daquele momento em adiante, ia ser dele. Uma sensação quente e delicada apoderou-se dela.
Então, o seu pai entregou-a a Devon. Ele sorriu-lhe e juntos voltaram-se para o sacerdote para que desse início à cerimónia.
Ao fim de um momento, deu-se conta de que não tinha prestado atenção à cerimónia. Só recordava os olhos de Devon e o calor que sentira enquanto ele lhe prometia amor, lealdade e devoção. E, claro, o beijo que Devon lhe dera ao serem declarados marido e mulher.
Ao fim de um momento, estavam a deixar o altar para trás, juntos, como num casamento. Foram para uma sala contígua esperar os outros e Devon puxou-a para si.
– Estás espetacular.
Beijou-a novamente, desta vez mais devagar e intensamente. Ele tomou o seu tempo para explorar a boca dela e, quando se afastou, Ashley agarrou-se ao seu braço para não perder o equilíbrio.
Em seu redor, começaram a ouvir-se vozes e viu que os convidados estavam a sair da igreja.
– Querida, precisam de ti na igreja para as fotos – disse a sua mãe aproximando-se de Ashley e Devon. – Os convidados vão agora para a receção. Há um carro à vossa espera para vos levarem quando acabarem de fotografar-vos.
Devon não gostava da ideia de posar para tantas fotografias, mas suspirou resignado e pegou na mão de Ashley para conduzi-la de volta à igreja.
– Acabamos já de seguida – sussurrou Ashley, – e depois iremos desfrutar da nossa lua de mel.
Ele sorriu-lhe e apertou-lhe a mão.
– A ideia de passar vários dias encerrados na suite de um hotel é a única coisa que faz com que as próximas horas sejam suportáveis.
Ela corou e estremeceu perante as imagens que as suas palavras evocavam. Estava desejosa de ficar a sós com ele.
Mas, ao mesmo tempo, aquele era o seu dia e ia gozar de cada segundo. Sorriu e as suas amigas apinharam-se em seu redor, antes dos seus primos, tios, pais, irmão e outros parentes e amigos. Era realmente o dia mais feliz da sua vida.
Devon foi buscar um copo de vinho, enquanto era a vez do irmão de Ashley dançar com ela. Deveria estar a dançar com alguém da família de Ashley, mas havia tantas mulheres que não sabia reconhecer quais tinham algo a ver com ela.
Em seguida, Cameron aproximou-se dele e Devon começou a assobiar, em jeito de gozo para com o smoking que o seu amigo tinha vestido.
– Tu és a única pessoa por quem vestiria uma coisa destas – disse. – Não o vesti para o casamento de Rafe e Ryan casou tão depressa que só nos avisou depois do enlace. Mas não queria falhar a Ashley. Acha que sou alguém especial.
Devon abanou a cabeça.
– Não posso acreditar que tenhas ficado tanto tempo. Não costumas sair da tua gruta durante tanto tempo.
– É suposto eu retransmitir felicitações ou condolências, o que preferires, da parte de Rafe e Ryan. Ambos lamentam não poderem vir, mas as suas esposas estão quase a dar à luz e é compreensível que tenham que permanecer ao seu lado.
– Esquece – disse Devon. – O facto de eu me casar não é o fim do mundo. Não foste tão chato com Rafe e Ryan.
– Sim, fui – disse Cam com um sorriso. – Mas mereciam. Eram ambos desprezíveis.
– Como se tu fosses um exemplo de amabilidade. Odeias toda a gente, em especial as mulheres.
– Não as odeio. Aliás, gosto demasiado delas. Além disso, é divertido gozar contigo. Acho que Ashley é perfeita para alguém tão arrogante e rotineiro quanto tu.
– Não é isso que pretendo – disse Devon. – Estou no limite. Serei feliz quando tudo isto tiver acabado. Estou muito preocupado com Ashley poder descobrir a verdade e mandar-me para o inferno. Vamo-nos daqui e apanhamos o avião para Saint Angelo, depois já me sentirei bem.
– Tendo em conta o que te aguarda, desejo-te o melhor – disse Cameron. – Acho que cometeste um grave erro casando-te com alguém como parte de um acordo empresarial, mas é uma mulher muito doce e podia ter sido pior. De qualquer forma, não estou preocupado contigo, mas sim com ela.
– Ena, obrigado – disse Devon. – Fico contente por te preocupares comigo.
Cameron viu Ashley na pista de dança enquanto o seu irmão a fazia rodar. Riu-se e o seu sorriso iluminou toda a sala. Era óbvio que estava a divertir-se mais do que nunca.
– Ao menos, tu não acabarás com o coração partido – disse Cameron, baixando a voz. – Mas podes dizer o mesmo dela?
– Não lhe vou partir o coração, caramba! Podemos esquecer o assunto? A última coisa de que preciso é que alguém nos ouça.
– Sim, claro. Acho que vou apresentar os meus respeitos à noiva antes de voltar para a gruta.
Devon viu o amigo dirigir-se à pista de dança. Uns segundos mais tarde, Eric deixou Ashley nos braços de Cameron.
– Fizeste a minha filha muito feliz – disse William Copeland.
Devon voltou-se e viu o sogro mesmo atrás dele. William sorria, contente.
– Bem-vindo à família, filho – disse, dando uma palmada a Devon nas costas.
– Obrigado, senhor. É uma honra.
– Leva a Ashley e divirtam-se. Não te preocupes com os negócios, depois teremos tempo quando voltares para pensarmos no que há a fazer.
– Claro – disse Devon, assentindo.
– A mãe de Ashley quer que te diga que o carro que vos vai levar ao aeroporto está à espera lá fora. Agora, se gostas de tradições, deverias fazer alguma tolice como cortar o bolo. Mas se eu estivesse no teu lugar e acabasse de casar com uma das raparigas mais atraentes de Nova Iorque, escapulia-me e fugia. Chegariam ao aeroporto antes que alguém desse conta da vossa partida.
– Esse é o melhor plano que ouvi em toda a noite – disse Devon sorrindo. – Cobrirá a minha fuga?
William esboçou um sorriso cúmplice.
– Claro, filho. Vamos, vai buscar a tua esposa. Todos ficarão encantados por comerem o bolo por ti.
Devon riu-se e cruzou a multidão para resgatar Ashley de Cameron.
O sol estava a esconder-se no horizonte quando Devon atravessou a ombreira da suite com Ashley ao colo. Assim que a deixou no chão, correu as portas do alpendre para abri-las.
– Oh, Devon, isto é lindo! – exclamou ao ver a variedade de cores que enchiam o céu.
Ele aproximou-se por detrás e abraçou-a, puxando-a para o seu peito. Beijou-lhe a orelha e ela suspirou de prazer.
– Não posso acreditar que esta será a nossa vista durante toda a semana. Sabes há quanto tempo não vou à praia? Desde que era criança.
– Como? – perguntou surpreendido. – Não costumas ir à praia?
– Eu sei, é terrível, não é? Não sei porquê. A minha família não ia de férias para a praia e os meus amigos também não gostam muito. Nunca me tinha preocupado em vir e aqui estamos. É tão bonito que não encontro palavras para descrever – disse, sem fôlego.
– A mim, parece-me que te sobram palavras. Fico contente por gostares.
Ela voltou-se nos seus braços, deixando que as suas mãos seguissem para a cintura.
– Como descobriste este lugar? Nunca tinha ouvido falar de Saint Angelo.
– Estamos a construir um hotel aqui. Vamos ser os primeiros. Ryan e Kelly vivem aqui, lembras-te?
Ela enrugou o nariz.
– Ah, sim, falaste-me deles, mas não os conheço. Só conheço Cameron.
– Depois tratamos disso. Bryony e Kelly estão quase a dar à luz, por isso não podem viajar. Jantaremos com Ryan e com Kelly enquanto estivermos aqui e estou certo de que em breve poderemos encontrar-nos com Rafe e Bryony.
– Estou desejosa.
– Neste momento, não me importo com isso – murmurou Devon. – Estou mais interessado na nossa noite de núpcias.
Ashley sentiu as faces a arder ao mesmo tempo que um delicioso calafrio lhe percorria as costas.
– Tenho que mudar-me. Tenho algo especial. É uma surpresa.
– Hum, que tipo de surpresa?
– Bom, é um presente das minhas amigas. Garantiram-me que nenhum homem é capaz de resistir.
– Então, lembra-me de agradecer-lhes.
– Ainda não me viste com ele.
– Aposto que vou gostar. Gostaria de ti até se vestisses um hábito. Seja o que for que te compraram, estou certo de que gostarei antes de arrancar-to desse corpo tão desejável.
Ashley estremeceu, excitada. Mal conseguia conter-se.
– Está bem, espera aqui. Dá-me pelo menos quinze minutos. Quero estar perfeita. E nada de espiar-me!
– Está bem, mas apressa-te. Vou descer para ir buscar uma boa garrafa de vinho e também para pedir que nos tragam o pequeno-almoço amanhã de manhã. Tens tempo até eu voltar.
Ashley pôs-se em pontas de pés, beijou-o e passou junto a ele para entrar na suite. Depois, esperou que saísse do quarto para tirar aquela peça rosa da sua mala.
Mudou-se a toda a pressa e foi olhar-se no espelho do canto. A camisa de noite era muito bonita. Sentia-se uma princesa e gostava muito disso.
Tirou o gancho que lhe prendia o cabelo, deixando-o cair sobre os ombros. Abanou-o um pouco, alisou-o com os dedos e voltou a olhar-se no espelho.
O corpete era decotado e deixava adivinhar os seus encantos. Ao mover-se, os mamilos estavam quase a saltar-lhe. O saiote da camisa de noite era suave e caía acariciando-lhe as pernas. Dava-lhe um ar sedutor e fazia-a parecer menos inocente e mais descarada.
Sorriu para o seu reflexo e afastou-se do espelho. Depois, deu umas voltas como se estivesse a dançar com um par invisível.
Fechou os olhos e deu mais uma volta. Com a mão, bateu em algo duro e sentiu dor nos nós dos dedos, o que a arrancou da sua fantasia.
O computador portátil de Devon, que estava por cima da lareira, caíra ao chão juntamente com a carteira, as chaves e o conteúdo dos bolsos dele.
Agachou-se, amaldiçoando a sua falta de jeito. Parecia que só tinha saído a bateria, mas como ter a certeza? E se o tinha estragado? Talvez tivesse documentos importantes no computador. Se fosse como o pai e o irmão, passava toda a vida metido naquela maldita coisa. Estava decidida a averiguar se tinha estragado o computador.
Pôs a bateria no seu lugar, verificou se havia mais danos e premiu o botão de início, rezando para que funcionasse. Após uns segundos, o ecrã permaneceu escuro e soltou outro queixume.
Frustrada, premiu várias teclas, desejando que algo voltasse à vida. O problema foi que, assim que começou a carregar nas teclas, o monitor piscou e uma sucessão de janelas começaram a abrir. Pelo menos, o maldito aparelho funcionava.
Mordeu o lábio e começou a fechar programas. Havia muitas folhas de cálculo e gráficos. De repente, receou que nada daquilo estivesse a ser guardado e que estivessem a perder-se valiosas informações.
Ao minimizar um documento, viu o seu nome escrito e isso chamou-lhe a atenção. Os seus dedos ficaram quietos sobre o teclado e começou a ler. Era um e-mail do seu pai e sorriu ao ver que se referia a ela como a sua menina. Mas o que leu a seguir fez com que ficasse gelada.
Tive tempo de considerar as tuas reservas sobre Ashley e talvez tenhas razão em estares preocupado. Não quero que penses que não tenho em conta a tua intuição, mas quero que compreendas que, acima de tudo, quero protegê-la. Não é necessário que tome conhecimento do nosso acordo, embora compreenda que não te sintas confortável com essa decisão. É a minha única filha e amo-a muito. A verdade é que prefiro que não fique a saber que o vosso casamento é uma condição para a fusão. És bem-vindo a esta família e confio em que sempre agirás em benefício dos seus interesses, motivo pelo qual te suplico que mantenhas em segredo o nosso acordo.
Aturdida, Ashley ficou a olhar para o ecrã, certa de que não tinha compreendido bem. Estava a tirar conclusões precipitadas, algo de que a mãe sempre a acusava. Repreendeu-se e procurou manter a calma, apesar de a pulsação lhe bater acelerada e conseguir senti-la no pescoço e nas têmporas.
Voltou a olhar para o correio eletrónico, procurando que a sua visão turvada focasse as palavras.
– Ashley?
Levantou a cabeça e surpreendeu-se ao ver Devon.
– Caiu, da lareira. Tinha medo de tê-lo partido. A bateria saiu. Quando consegui metê-la, todos estes programas se abriram e estava a tentar fechá-los.
Ele agachou-se para apanhar o computador, mas ela agarrou-se ao aparelho.
– Devolve-mo, Devon. Quero saber o que diz.
Ele fechou-o sem mais e colocou-o sob o braço.
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